Casal Mundo Afora - Registros de uma viagem mundo a afora.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Travel log #22 - Finlândia

(por Everton)

Após nossas maravilhosas experiências na Rússia, demos um pulinho até a Finlândia, país nórdico que fica muito perto de São Petersburgo, nossa última parada da Rússia. Fomos de ônibus cruzar a fronteira terreste e haja fila de Russos para entrar no territórrio fanlandês!

Apesar do país já ter pertencido à Rússia entre 1809 e 1917, após o desmembramento da Suécia, hoje os Russos precisam de visto para entrar no território que é parte da União Européia. Isso explica o motivo de demorarmos tanto para conseguirmos atravessar a fronteira. Quase 2 horas!

Antes mesmo de chegarmos, já sabíamos que estaríamos entrando em um dos países mais caros do mundo. Reservamos o hotel mais barato que encontramos por nada menos de US$ 110,00! Isso é um preço bem acima de qualquer média até agora. Os hósteis na região central custavam cerca de US$ 70,00 por pessoa, para quartos compartilhados, quase o triplo da Austrália e Nova Zelândia. Por conta dos preços exorbitantes, a nossa estadia no país foi curta. Imaginem que com apenas uma noite de hotel, poderíamos pagar 10 diárias na Tailândia em um hotel à beira mar... Mas a Finlândia não é a Tailândia.




Este é um dos países com melhor qualidade de vida e renda do mundo e suas cidades estão classificadas entre as mais limpas, seguras e organizadas de todo o globo. Sentimos isso na pele ao pisarmos em Helsinke. A cidade é magnífica e banhada pelo Mar Báltico. Chegamos em pleno verão, com dias perfeitos, céu azul e muita gente nas ruas! 



Por conta do alto poder aquisitivo da população e da história dos países nórdicos, a navegação recreativa é amplamente difundida e posso até arriscar dizer que há praticamente um barco ancorado nos piers por família que vive na cidade. Como o verão deles é muito curto (Helsinke fica coberta de neve cerca de 4 meses por ano e o norte do país pode ficar até 7 meses), eles aproveitam cada minuto dos longos dias de verão para velejar e fazer tudo que for possível ao ar livre. 




Uma boa parte do seu território norte fica no Círculo Polar Ártico, o que significa que eles tem pelo menos um dia por ano de total escuridão no inverno e de um dia completo de luz solar no verão, o que é conhecido como o sol da meia-noite. Como chegamos no fim do verão, pudemos ver o sol se pondo as 22h e raiando pelas 3h da manhã. Embora fizesse calor ao sol, bastava um sombra para sentirmos um vento polar e começarmos a sentir frio. Era comum estarmos de casacos enquanto os locais usavam poucas roupas. 




Por ser um país muito frio, o cultivo de vegetais é escasso. Por outro lado, o Mar Báltico é riquíssimo em vida, o que faz a culinária tradicional ser baseada em peixes e batatas, provamos uma sopa de salmão com batatas que estava deliciosa! Mas não é só isso que tem pra comer por lá não! É muito comum vermos os mais variados tipos de restaurantes por lá. Encontramos uma feira de rua que tinha pratos de vários países do mundo, até uma barraca com a bandeira do Brasil, vendendo churrasco e fazendo "roda de samba"... Detalhe: aquela era a única barraca com som alto, que dava pra ouvir de longe, invadindo o "espaço sonoro" dos outros restaurantes. Essa é a imagem do Brasil aqui fora.




Podemos dizer que a Finlândia é também a terra dos Vikings, pois o país era parte da Suécia naquela época. Inclusive ainda hoje o Suéco é o segundo idioma oficial do país. É também no norte do país que fica a Lapônia, a terra do Papai Noel, mas acabamos não visitando a região...





Esta é a mais famosa "praia" da cidade! Pelo menos nisso, o Brasil está à frente!

Gostaríamos de ter ficado mais tempo e explorado mais as belezas do país, mas infelizmente tivemos que seguir viagem. É uma terra muito diferente de nosso Brasil e mesmo com todas as adversidades climáticas, eles conseguem ser um país próspero com um índice altíssimo de qualidade de vida.




Nosso primeiro turbohélice da viagem

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Travel log #21 - Russia

(por Everton)

Ufa! Saímos da Índia. 

Por mais que eu tente explicar, dificilmente irão entender como eu me senti no último dia de Índia. Eu estava cantando, animado! Só queria saber de chegar no aeroporto o mais cedo possível, passar na imigração e aguardar na área internacional do aeroporto pelo vôo para a Rússia! É claro que se tratando de Índia, as coisas nunca são tão simples assim! Mesmo tendo chegado com quase 3 horas de antecedência no aeroporto, conseguimos entrar no avião somente uns 10 minutos antes da partida! Que difícil pegar um vôo por lá! Tudo é tão enrolado, mas no final conseguimos sair daquele país!

Voltando à civilização

Talvez esta seja uma expressão um pouco dura, mas foi realmente assim que me senti ao pisar na Rússia...novos ares! Embora a Rússia tecnicamente não faça parte da União Européia, Moscou tem um ar de civilização, organização e limpeza comum aos países do velho continente.

Talvez possam nos perguntar por que saímos da Índia com destino à Rússia sem ter passado pelo Oriente Médio. Eu explico: O inverno da Rússia é um dos mais rígidos do planeta e como não queríamos experimentar o mesmo frio que venceu Napoleão Bonaparte, decidimos pular os países do oriente agora e visitar a Rússia no fim do verão.

O primeiro impacto foi a comida! Como é bom voltar a comer queijos, pães e outros pratos parecidos com a nossa cozinha! Todas as comidas típicas que provamos eram deliciosas. Como foi bom comer salada de novo! Em nenhum país do Sudeste Asiático encontramos isso!




Um país cultural

A Rússia é um país que realmente respira e vive cultura. É impressionante que as pessoas ouvem ópera e música clássica ainda hoje em suas casas. É lindo! Há várias estações de rádio transmitindo os mais variados estilos clássicos. 

Aos caminharmos pelo centro de Moscou, dezenas de músicos de rua tocando adivinha o quê? Música clássica! É simplesmente incrível. Mesmo!

A capital Moscou é uma das cidades mais bonitas que já conheci. É tão perfeitamente conservada e limpa que é impossível descrever. Conhecemos prédios e igrejas mais antigos que o Brasil e num estado de conservação invejável a qualquer país Europeu.





 Os prédios modernos se fundem em perfeita simetria com os centenários edifícios e igrejas e tudo cria uma linda cidade.






O país tem tanta história que até as estações de metrô são decoradas com esculturas. A cada nova estação, parecíamos estar entrando em uma galeria de arte. Estas estações foram construídas em uma época em que o país era estritamente agrícola, justamente com o intuito de chamar a atenção pela modernidade em que o país queria se projetar.





A comunicação

Algo marcante no país foi a dificuldade de encontrar placas e também pessoas que compreendessem a língua inglesa. O governo Russo sempre teve este ar de superioridade e é incrível como eles não se preocupam em colocar as indicações em inglês! Desde que iniciamos a viagem, este foi o país que tivemos a maior dificuldade na comunicação com os locais. Mas graças ao Pasha, nosso amigo russo que nos ensinou o alfabeto cirílico, conseguíamos ler algumas coisas por lá!




Antigo prédio da KGB

Política

Historicamente, o governo Russo foi sempre o "chefe" do comunismo. Após a tomada do poder pelos Bolcheviques e a instituição da União das Repúblicas Solialistas Sovieticas que englobou todo o leste europeu e metade da Alemanha, muito mudou na Rússia. Os "ricos" eram assassinados ou expulsos para longe de suas casas e os grandes apartamentos do centro (antes habitados por eles) eram transformados em "comunas", onde em geral, várias famílias dividiam o mesmo apartamento... a média era de 4 pessoas por quarto. Ou seja, em um apartamento grande era comum encontrar de 4 a 5 famílias dividindo o mesmo teto. 

Naquela época, quem tinha um melhor desempenho nas fábricas, ganhava um quarto ou apartamento mais próximo ao centro. Quem tinha um desempenho ruim, movava nas periferias, e assim se formava a sociedade russa da época. Muitas das estátuas que vimos, mostravam homens e mulheres fortes, trabalhadores, e jamais os livros, a sabedoria, o que para os comunistas, era perigoso! Para o regime vermelho, o que importava era a força operarária (certo, companheiros?!).

Ouvimos relatos de pessoas sobre como era aquela época e comentaram que não haviam opções para nada que quisessem comprar. Quer um refrigerante? Só existe uma marca. Quer um sapato? Só existe uma marca! E assim acontecia com tudo... A religião era fortemente combatida pelo Estado. Apesar da Rússia ser formada em sua maioria por cristãos ortodoxos, na visão do governo da época, a religião era vista como uma ameaça ao regime. 

Não quero aqui entrar mais profundamente no assunto, pois não tenho a intenção de dar uma aula de história (até porque não sou professor), mas ficou mais do que evidente que após a queda do comunismo (depois que a Rússia passou pela maior crise da sua existência) e a abertuda das portas aos investimentos e relações internacionais, que a condição geral de sua população melhorou muito. 
O que vimos na Rússia atual foi um país muito moderno e com muitos ricos e cidadãos bem capitalizados. Encontramos as mais caras grifes do mundo e também muitos carros de luxo pelas ruas. 

O fato é que ainda hoje, a Russia não é um país realmente democrático. Em geral, percebi que os Russos admiram o Putin, que já está há uns quase 15 anos no poder. Apesar de ele ser quem ele é, aparentemente os cidadãos são gratos ao que ele fez pela economia e não enxergam outro político capaz de liderar o país daqui para a frente.

Após tantos exemplos de que o comunismo não funciona, eu realmente não consigo entender o que países como Venezuela, Cuba, Colômbia e até o PT em nosso Brasil ganham em insistir neste regime falido. Está mais do que na hora de derrubar as bandeiras vermelhas da América Latrina e começarmos o desenvolvimento e civilização do nosso continente.

Antiga capital

Também visitamos São Petersburgo, cidade conhecida como a capital cultural do país. O que encontramos foi outra cidade extremamente limpa, bem conservada e mais preparada para receber turistas. Muitos prédios históricos, igrejas e o Mar Báltico, que faz ligação com os países escandinavos e outros mares afora. A cidade é bela, mas particularmente, gostei mais de Moscou!






E assim terminamos nossa visita à Russia. Um país realmente impressionante e que eu voltaria com toda a certeza! 

PS.: Desculpas aos nossos amigos pela falta de contato. Nossos dias tem sido realmente cheios. É difícil de imaginar, mas temos sempre que nos planejar para os próximos destinos e nem pra isso temos tempo suficiente. Aos amigos: estamos bem, não se preocupem!

PS 2.: Dia 23/08 (em dois dias) completaremos 6 meses de viagem!!

domingo, 9 de agosto de 2015

Travel log #20 - Índia, à flor da pele


(Por Everton)

Uau! Chegamos na Índia!

Estar neste país foi algo tão chocante que não sei nem por onde começar os relatos... Vamos pelo começo, ou antes dele.


Estação de trem: Enquanto o sem-teto descansa no meio do saguão, a vaca também aproveita a sombra...

A preparação

Antes de virmos para cá, já tinhamos a idéia de que seria uma realidade completamente diferente do que estávamos acostumados. Ouvimos diversas vezes a frase: "Índia: ou você ama ou você odeia já nos primeiros minutos". 

Conversamos com pessoas que disseram ter vindo em busca de experiencias espirituais e que tinham tido ótimas experiências. Já a outra grande maioria dos viajantes que já haviam passado por aqui, disseram para virmos preparados, pois sentiríamos um impacto.

Eu já sabia que a comida seria um fator complicante, por conta da minha alergia à pimenta e comidas muito condimentadas. Sim, eu sobrevivi à todo o Sudeste Asiático, conseguindo me esquivar dos inúmeros tipos de "Chili" e outras coisas picantes, mas eu já havia lido que aqui seria diferente, pois os molhos que eles geralmente usam na comidas já vem apimentados, então o meu plano para a comida seria passar os 15 longos dias comendo apenas biscoitos industrializados e tomando suplemento vitamínico. Sei que parece exagero, mas verão que não foi tanto assim. Lemos relatos de fontes confiáveis de que turistas morrem todos os anos por intoxicação alimentar aqui e pra coisa fica ainda mais crítica: Já foram descobertas falcatruas onde hospitais importantes (aqueles que os turistas procuram) pagavam restaurantes pra servir comida estragada para turistas e então ganhar depois pelos tratamentos. Devido à severidade de alguns casos, essas pessoas vinham à óbito. Animado pra comer na Índia?  

Este é um país superpoluloso, com mais de 1 bilhão e 200 milhões de pessoas. Multi religioso, cheio de superstições, onde os casamentos ainda são arranjados e o índice de suicídio de mulheres recém casadas é altíssimo (foram cerca de 78 mil em 2010!). As mulheres são obrigadas a se casar muito cedo e geralmente com homens mais velhos (de 10 a 15 anos a mais). Essa diferença de idade ficou bem evidente enquanto estivemos no país.

Mas por mais que tenhamos tentado nos preparar "para o pior", a preparação nunca é suficiente quando se trata deste país. 

A chegada.

Chegamos em uma cidade litorânea do leste, chamada Visakhapatnam. O motivo? Uma promoção de passagem aérea e tíckets com um preço ótimo saindo da Tailândia. A cidade não é turistica em nada, o que seria ótimo para sentirmos o país como ele realmente é. Com exceção de um alemão que conhecemos no aeroporto, fomos os únicos estrangeiros a vir naquele vôo com 'aromas da Índia'.

Já no caminho do Aeroporto para o hotel, passado da meia noite, andando de Tuc Tuc num preço superestimado, percebemos o que nos aguardava nos próximos dias. O que vimos: Muita sujeira e lixo pelas ruas. Não, não eram uns papéis de bala jogados na rua. Eram montes de lixo mesmo! E no meio das ruas ou do lixo, vacas, bois, carneiros e até porcos. Nem tente imaginar o cheiro, você não conseguirá sem estar aqui. Este lixo todo nas ruas é algo tão normal que as pessoas apenas desviam dele enquanto as vacas (animais sagrados por aqui) se alimentam. 




Ao chegar no hotel, quase uma hora da manhã, fomos recepcionados por baratas em nosso quarto, sem contar no banheiro que acho que nunca foi limpo desde a inauguração do hotel, há uns 50 anos atrás. Era simplesmente nojento, mas tudo bem, depois descobriríamos que aquele hotel não era o pior do país.

No dia seguinte saímos pra conhecer a cidade e a praia que estávamos ansiosos por ver. No caminho, enquanto a Lisa tirava fotos do monte de lixo em frente a um hospital, um morador veio me perguntar por que ela estava tirando foto do lixo. Eu disse "isso é novidade pra gente, vamos guardar nas memórias da viagem"... Se mostrando incomodado, ele disse, "é pra mostrar pros amigos? Tem coisas mais bonitas pra tirar fotos". Eu agradeci a sugestão e seguimos rumo à praia. Ao chegarmos, pensa na muvuca! Milhares de indianos nas areias da praia. Todos de roupas normais (nada de biquinis) e muitos se banhando nas águas do mar de bengala que estava bem agitado naquele dia.






Outra cena bem normal é ver os homens urinando na rua. Ninguém passa aperto por lá! Vimos dezenas e dezenas de pessoas simplesmente parando seus carros pra dar uma "mijadinha". Certa hora me perguntei: "será que a polícia não faz nada quando vê alguem fazendo isso?" e então vi um carro de polícia parado e o policial fazendo exatamente o mesmo! 

Queríamos sair daquele lugar e pra nossa sorte, conseguimos comprar para o mesmo dia uma passagem para o próximo destino, uma região de tribos bem no interior da mata. A compra da passagem foi uma outra maratona. Os atendentes simplesmente pareciam não querer nos atender e sempre nos mandavam "para o próximo guichê". Pior do que isso foi quando constatamos que os indianos simplesmente não respeitam o conceito de fila. Apesar das placas pedindo a organização em linha, eles simplesmente se amontoam na frente do guichê. Quando estava quase chegando a minha vez, mais um entrava pelo lado e assim ia até eu começar a dar cotoveladas pra chegar a minha vez! Ô stress!

Depois de quase um dia viajando de trem, chegamos ao nosso destino, onde conhecemos um hospital de olhos que presta tratamento gratuito aos moradores pobres das tribos da região. Este hospital recebe dezenas de pessoas todos os dias para cirurgias de cataratas e diversos outros problemas e funciona com doações. Foi bom passarmos uns dias isolados no meio da mata.

De lá, resolvemos ir à Calcutá, depois que uns alemães comentaram que a cidade teria bastante opções. Inicialmente, não tínhamos este plano, pois a cidade é uma das maiores do país e em cidades grandes é sempre mais difícil e cara a locomoção e hospedagem. A cidade  até que não é tão suja como a primeira que visitamos e o metrô funciona bem. Foi lá que fomos em um cinema, assistir a um filme de Boliwood e foi muito legal, mesmo sem legendas! O povo vibra com o filme! Eu recomendo ter esta experiência se você estiver visitando o país! O problema nesta cidade foi a enchente que pegamos quando precisávamos ir para a estação de trem. Tinha chovido tanto desde o dia anterior, que as ruas estavam cheias de água. 
Sim, foi na Índia que tivemos a primeira experiência de nossas vidas de caminharmos em ruas alagadas pela enchente. Justo neste lugar, onde o lixo se mistura com a paisagem. Esta foi até agora a experiência mais desagradável de toda a viagem. Assim que chegamos na estação de trem, fomos correndo nos lavar para tentar acabar com qualquer chance de doença.

Antes de falar sobre nosso próximo inesquecível destino, quero comentar sobre outra coisa que chama muito a atenção por aqui. Vimos muitos homens andando de mãos dadas ou abraçados como se fossem namorados. Isso chama muito a atenção, principalmente devido ao fato de ser proibido qualquer demonstração pública de afeto entre homens e mulheres. Os casais raramente andam de mãos dadas e nem nos filmes é possível ver uma cena de beijo entre um homem e uma mulher. 

Os indianos tem um conceito de espaço privado bem diferente do nosso. Independentemente do lugar que você estiver, certamente alguém irá se encostar ou esbarrar em você. O que para nós incomoda pela proximidade, para eles é normal.




Espiritualidade

Nosso próximo destino foi Varanasi, a cidade sagrada dos hidús. Pra quem não sabe, esta é a cidade por onde passa o Rio Ganges, o ponto alto da viagem pra mim. Este rio é sagrado para os hindús e segundo a crença deles, quem é cremado neste rio vai direto para o "nirvana", sem outras reencarnações. Eles creem em algo como se o Rio viesse diretamente do céu. 


Indianos se banhando no poluidíssimo Rio Ganges


Varanasi é uma das cidades mais antigas da humanidade, tem mais de 8000 anos. Encontramos ruas muito sujas e mais um lugar cheio de vacas pelas ruas. O trânsito é ensurdecedor, difícil de imaginar. Simplesmente não dá pra entender o por quê de eles buzinarem tanto! 

O ponto alto desta cidade foi quando fomos assistir às cremações, que acontecem a céu aberto, à beira do Rio Ganges. Os corpos são trazidos em uma espécie de maca de bambú envolto em tecidos. O cortejo vem pelas vielas da cidade acompanhados de cânticos. 
Somente os homens podem participar do evento, já que as mulheres choram e dessa forma não deixam o espírito da pessoa livre. Infelizmente não pudemos tirar fotos das cremações, então vou tentar explicar como isso ocorre.


Pilhas de lenha usadas nas cremações


Primeiro, o corpo é lavado no Ganges e depois colocado sobre uma pilha de madeira, como uma fogueira de São João. Os familiares então jogam uma espécie de serragem sobre o corpo e também o que chamam de gordura de vaca. Esta "manteiga" ajuda o corpo a pegar fogo mais facilmente e segundo eles, faz com que o cheiro não seja ruim. Quando o corpo está sobre a pilha de lenha, um membro da familha traz o fogo, que foi aceso em um templo próximo e após algumas cerimônias, o corpo é incendiado. 

Cada cremação necessita de aproximadamente 300 kg de madeira, demora cerca de 3 horas e em cada local (chamado de Ghat) são cremados entre 100 e 150 corpos por dia. O mais curioso é que mesmo após as 3 horas, os corpos não queimam por inteiro. Pelo que li, o que sobra é uma parte da bacia e dos ombros, mas o que se vê é um "bolo" de carne preta cheirando a queimado, que é jogado no rio sagrado. 

Algumas pessoas não são cremadas, como mulheres grávidas, crianças, pessoas "santas", pessoas picadas por cobras e doentes de hanseníase. Essas pessoas são simplesmente amarradas à pedras e jogadas no Rio. Segundo entendemos, a cremação serve como uma purificação e essas pessoas já estariam purificadas. Também nos contaram que as vezes os corpos se soltam das pedras e voltam à superfície tendo assim que ser novamente presas à pedras e afundadas. Algumas famílias pobres que não tem dinheiro para comprar madeira para a cremação, também simplesmente afundam seus familiares.

Para terminar as histórias de Varanasi, ficamos sabendo que mesmo com a poluição incrível do rio, ele é cheio de peixes (que tem comida farta nos corpos em decomposição no fundo do rio) e por isso, a culinária local é famosa por seus pratos a base de peixe. Nós não fizemos questão de provar!

A nossa próxima parada foi em Delhi, a capital. Uma megacidade, com seus 20 milhões de habitantes. Trânsito pesado, mas um sistema de metrô muito bom. Aqui foi onde constatamos a maior perda cultural dos indianos, relacioandos às roupas. Em lugares que visitamos mais ao sul e mesmo em Varanasi, as mulheres estavam na quase totalidade vestindo seus sarís e kurdis coloridos, mas em Delhi, a influência ocidental é maior e muitas mulheres já não usam mais as roupas tradicionais. Delhi foi talvez a cidade menos impactante para mim e foi onde passamos 3 dias em um Ashram, uma espécie de  centro de meditação e Yoga. Estes centros (muito famosos no país), embora sejam ligados à religiões, recebem pessoas de todas as crenças para formarem instrutores de Yoga e meditação. Foram dias interessantes!

Além dos trens e metrôs que funcionam de uma forma muito boa, gostamos de descobrir que na Índia todos os produtos industrializados vem com uma incrição mostrando o preço máximo ao consumidor. Para nós, estrangeiros, isso foi ótimo, já que nos outros países da Ásia nós quase sempre pagávamos a mais em produtos sem o preço etiquetado! Não sei até que ponto isso é saudável para a economia, mas realmente gostei de não ser explorado aqui com os preços!


Cena pitoresca: sem-teto se banhando na rua

Conhecemos algumas pessoas na viagem que foram excelentes conosco e isso é o que levamos de bom de nossa viagem por aqui. Desconhecidos que cruzaram nosso caminho e nos mostraram um pouco mais dos costumes e cultura deste país! Valeu a experiência!



domingo, 26 de julho de 2015

Travel log #19 - Despedida do Sudeste Asiático


(por Everton)

Olá amigos, já faz um tempo que não atualizamos o blog. Estivemos envolvidos com tantas coisas, em tantos lugares e este post vai ser um sumário de nossos útimos dias de Sudeste Asiático, antes de partirmos para nosso próximo e misterioso destino, a India.

Laos

Seja nos livros ou no contato que tivemos com pessoas durante a viagem, a informação era sempre essa: o Laos é o país mais pobre da Ásia. Depois de tantos comentários, criamos até uma certa expectativa negativa sobre o país, antes mesmo de chegarmos.

Cruzamos a fronteira de ônibus pelo sul do Laos, vindo de maravilhosos dias no Vietnã. Mas antes de conseguirmos sair do país dos Vietcongues, passamos por uns perrengues. Pegamos um ônibus bem velho, com visível falta de manutenção e com um único motorista dirigindo por quase 24h (ele tomou 9 latas de Red Bull durante o trajeto). Este trecho é chamado por muitos de Nightmare Trip (viagem pesadelo). Chegamos no posto de checkout do Vietnam e ficamos indignados com a cobrança descarada de propina para que carimbassem a saída em nosso passaporte. Havia mais estrangeiros no ônibus e acabamos nos unindo para tentar não pagar o "por fora" para os agentes da alfândega, mas não teve jeito. Após mais de uma hora de chá de cadeira, percebemos que inclusive os locais eram obrigados a pagar esta "taxa". O mais curioso é que os agentes simplesmente amontoavam todo o dinheiro que recebiam em cima da mesa, sem cerimônias para esconder. Acho que não preciso dizer que não ganhamos nenhum recibo do que pagamos, né? Esta corrupção deslavada me lembrou de um certo país lusófono da América do Sul...

Embora a saída do Vietnã tenha sido um pouco estressante, assim que entramos no Laos, o Visa on Arrival (a concessão de visto na entrada do país) foi muito rápido e eficiente, então após mais algumas horas de viagem, chegamos na capital do país, Vientiane.

O que mais chamou a atenção ao pisarmos em solo Laotiano foi a quantidade de caminhonetes e carros alto padrão nas ruas. Sério, me senti na Europa, em um país bem rico. Carros de luxo não eram os únicos a chamar a atenção. A arquitetura, inspirada no estilo francês, é um charme a parte.

O Laos foi um país por muito tempo dominado pela França, o que explica a diversidade de comidas, padarias e restaurantes na cidade que tem pouco mais de 200 mil habitantes. Imagine a capital de um país (e a maior cidade) com apenas 200 mil pessoas. Este é o ponto alto do Laos. Não há superpopulação, as coisas andam num ritmo mais lento e muito diferente da loucura do Vietnã.  

Foi nesta cidade que solicitamos o visto para India. O que aconteceu é que antes de solicitarmos o visto, verificamos no site da embaixada que o tempo para emissão seria de 3 dias úteis. Fizemos nosso planejamento considerando estes 3 dias e então seguiríamos viagem. Entretanto, ao entregarmos nossos passaportes na embaixada, o atendente nos informou que ficaria pronto somente em uma semana! Uau! Uma semana esperando um visto, que para os cidadãos do Laos é emitido no mesmo dia!!
Ok, teríamos a opção de viajar para algumas cidades proximas e então retornarmos para buscar os passaportes em uma semana. Mas viajar sem passaportes, em um país que não possui embaixada do Brasil não pareceu muito seguro. Tínhamos acabado de chegar e ouvidos muitas histórias de terror de outros turistas que tiveram problemas naquele território, então eu optei ficar na mesma cidade até que o visto ficasse pronto.

Decisão acertada! Não que haja muito o que fazer na capital. Na verdade, além das feirinhas de comida e roupas que acontecem todas as noites e templos budistas, não havía muito o que visitar. Mas foi excelente pra tirarmos um tempo pra gente, "férias das férias". Parar de se mover um pouco e simplesmente reduzir o passo.

Um local que valeu muito a pena a visita foi o COPE, que é uma espécie de ONG que dá assistência às pessoas que perderam membros (pernas, braços) por conta de explosões de minas terrestres. Foi curioso e triste saber que o Laos foi o país mais bombardeado da história (per capita). Aviões estadunidenses e de muitos outros países despejaram milhões de bombas sobre o território do país. Grande parte destas bombas não eram de explosão imediata, mas minas terrestes (ou munição anti-pessoal), que jogadas do céu às milhares, se instalavam no solo esperando o inimigo pisar nelas para serem detonadas.

Infelizmente o território ainda está infestado dessas minas e na média há mais de uma vitima por dia, resultando em mortes ou perda de membros. Estas minas afetam muito o desenvolvimento do país, pois impedem a construção de novas estradas, prédios e inclusive sistema de água e esgoto nas regiões remotas. Como o país é extremamente agrícola (somente 25% da população vive em cidades), praticamente todos os acidentes ocorrem com agricultores.
 

O COPE presta auxílio gratuíto às vitimas e funciona somente com doações do exterior. Aos que podem e querem ajudar, eu recomendo acessar o site do instituto (procure no Google por COPE Laos) e faça uma doação. O custo de uma perna para uma pessoa atingida por uma mina, incluindo o tratamento de fisioterapia, é de apenas US$75,00. Ao invés de comprar um produto de uma marca famosa - que ficará obsoleto em menos de um ano -, que tal mudar a vida de uma pessoa, dando uma perna à ela? Você pode fazer a diferença na vida de alguém!

O trabalho de remoção das minas é muito lento, pois precisa ser feito por pessoas treinadas, com detectores de metais. Imagine o tempo e dinheiro necessário para cobrir 100% do território do país, procurando por bombas não explodidas...

O Laos foi pioneiro na ONU na luta pela proibição da fabricação, estoque e utilização de munição anti-pessoal, pois sentiu (e sente até hoje) as consequências devastadoras deste tipo de armamento. Diversos países do mundo já assinaram este tratado, com exceção de alguns poucos como os Estados Unidos e, pasmem: o Brasil!

Depois de nossa semana descansando, pegamos os passaportes e partimos para outras duas cidades. Vang Vien onde pretendiamos fazer passeio de balão, mas infelizmente era tempo das monções e nada de balão por la! Visitamos uma enorme caverna no alto de uma montanha! Depois seguimos para a Luang Prabang. No geral gostamos da simplicidade, organização e do ritmo mais lento do que os outros países. Além disso, foi em Vientiane que comemos o melhor Pad Thai de toda a viagem!





Algo que chamou muito a atenção foi a quantidade de bandeiras comunistas nas ruas da capital, nas casas e no comércio. É incrível o poder que um governo comunista tem sobre o povo. Bem, comunistas é a última coisa que eles são no Laos, mas é claro que ao governo ainda convém levantar esta bandeira. Assim como no Vietnã, o governo controla todos os meios de comunicação. O único jornal em inglês é pesadamente censurado. Toda a mídia é a do estado e, apesar de haver muita pobreza no interior do país, a capital é farta de carrões! O principal pilar da doutrina comunista - a distribuição de renda e a igualdade - não é nada seguida por aqui. Há bastante investimento externo no país e os "ex-camaradas" aprenderam como é bom ter uns dólares no bolso. Na prática, o comunismo continua a ocorrer, mas somente no que é relacionado ao controle do povo.  

Isso estranhamente me lembra as medidas que o PT estava tentando aprovar para censurar a mídia no Brasil. Vou falar mais sobre o "comunismo" e sua identidade  atual em um post mais adiante, depois de nossa visita à Russia.

De volta à Tailândia


Já tínhamos visitado o país quando viemos da Malásia, e viajamos do extremo sul até Bangkok. Mas faltava o norte, que deixamos pra fazer na volta.

Chegamos por terra, em quase 20h de viagem à Chiang Mai, onde passamos somente uma noite antes de partirmos para uma fazenda trabalhar como voluntários. Quando nos candidatamos, imaginamos algo diferente do que encontramos: O local era uma comunidade, formada por estrangeiros, mas sem gerentes, chefes, donos e etc...

A ideia é a de que todos trabalhem em conjunto no que for necessário e espera-se que as pessoas sintam a responsabilidade de fazer os trabalhos sem que ninguém tenha que pedir. Um modelo de "gestão" que eu compararia à um sistema anárquico, se é que posso chamar assim. Lá encontramos diversas pessoas interessantes, com pontos de vista ainda mais interessantes. Foi uma troca de experiências muito enriquerecedora e mais uma vez pudemos constatar que não é necessário muito para ser feliz.


Mais uma semana se passou e voltamos à Chiang Mai, para nos despedirmos do sudeste asiático. De lá, partimos para Bangkok, pegar nosso vôo para a India, mas isso é história pra outro post!

A Tailândia é um país grande, com grandes contrastes. No sul vimos muita pobreza e conflitos militares para a separação do país. Mais ao centro, visitamos ilhas que, apesar de não serem "paraísos", foram legais pela vibração que encontramos. Em Bangkok, encontramos uma cidade gigante, com sérios problemas de trânsito, mas uma capital limpa e bem organizada. Foi uma excelente surpresa! Agora por último o norte, não tão saturado de pessoas, com muitas roupas baratas e boas opções de comida de rua. Foi surpreendente ver a qualidade das estradas que ligam a capital ao norte do país. Mais de 500 km com 3 faixas e alguns locais com até 5 pistas. Sem sombra de dúvida eles estão bem a frente do nosso Brasilsão!

Falando ainda em estradas, não encontramos em nenhum país de todo o Sudeste Asiátio estradas realmente precárias como as que vimos constantemente no interior do Brasil.

Despedida!

Apesar dos contrastes que encontramos aqui, a experiência foi muito enriquecedora. Pudemos conviver no meio de Budistas, Hindus e Muçulmanos. Pudemos experimentar choques culturais no trânsito, no comércio, na comida, na política, no dia-a-dia das pessoas. Ontem mesmo eu conversava com a Lisa e comentava como eu já me sinto outra pessoa depois deste tempo por aqui. As experiências foram transformadoras.

É incrível, mas já estou com saudades dos lugares que visitamos e também do 7 Eleven!!!

Thank you, Southeast Asia! It was a wonderful time there!

sábado, 4 de julho de 2015

Travel log #18 - Vietnam - parte 2



(Por Lisa)

Chegamos no Vietnam com planos para ficar 12 dias, mas no geral gostamos do que encontramos e ficamos num total de 20 dias.

O que mais gostamos foi o preço das coisas e comidas! Graças à influência francesa encontramos muito baguete! Os sanduíches eram com recheios bem variados: carne de porco moida com cenoura ralada e salsinha inteira, mortadela de porco com fatias de pepino e tomate, bacon com ovo mexido...mas nada de queijo por aqui! Francês é a terceira língua mais falada, pelo menos entre os mais antigos, já que a França tentou se adonar dessas terras por duas vezes na história do Vietnam.

Das comidas locais experimentei de tudo um pouco! Em geral as comidas são servidas num único prato como o PHO (sopa de macarrão com canja de galinha, carne e cebolinha), o CAO LÁU (macarrão, carne de porco, broto de feijão, alface, folhas de hortela, cebolina e baconzitos), SPRING ROLLS (carne de porco moida, cenoura ralada, camarão triturado, cogumelos cortado fino...tudo misturado e colocado numa folha de papel de arroz, a qual se enrola e frita!) Delicioso! Papel de arroz foi uma ótima invenção deles e segundo os Vietnamitas só se produz aqui! Por ser um papel comestível, eles também embalam as balas de côco. Assim ficou mais fácil comer bala! E essas compramos no passeio de barco pelo delta do Rio Mekong, onde visitamos algumas ilhas e suas produções locais. Aqui se come muita fruta desidratada, e uma que gostamos muito foi o côco. Muitas das frutas frescas são vendidas já sem casca como o abacaxi, a melancia e a manga. Também comi OVO GALADO (ovo de embrião de galinha)! Precisei de uma dose de coragem, mas acreditem: não é nojento, é diferente!!! Se come com a ajuda de colher e um caldo de limão com pimenta vermelha! Tipo de coisa que se come pelo menos uma vez na vida...se a oportunidade aparecer como foi pra mim! Quer algo nojento? Comer um sanduiche que vem envolto por um papel de rascunho riscado com caneta, ao invés de vir num guardanapo!



Nas grandes cidades não tivemos coragem de alugar moto e mesmo atravessar a rua a pé é uma aventura radical! À primeira vista o trânsito é caótico! Nunca tinha visto tanta moto por metro quadrado! Mas depois se percebe que tudo flui... Ninguem pára! Pedrestre cruza a rua sem correr, as motos só diminuem a velocidade e desviam, os carros também... porém os carros são autoridade e muito respeitado pelas motos. Motos não respeitam sinal de trânsito, nem faixa de pedestre, nem se estão andando nas calçadas ou na contra mão! Mas fazem uma coisa bem legal: não andam em ziguezague entre os carros! Talvez esse seja um dos motivos de não termos visto um único acidente!



Em Ho Chi Minh fizemos a massagem vietnamita com os cegos! Visitamos os famosos túneis "Cu Chi Tunels" que foram construídos com cerca de 200 km de extensão onde se abrigavam os vietkongs durante a guerra que terminou em 1975. Esses túneis tinham saídas de ar a cada 30 metros e isso facilitava um vietkong a atirar e em seguida se esconder, sair por outro buraco e atirar novamente deixando um soldado americano confuso de onde vinham os tiros, pois quando se virava a procura não encontrava nada! Foram muitas as armadilhas usadas pelos vietkongs, coisas simples porem fatais! O Viet Nam faz jus ao seu nome que significa Super Homem. Segundo nosso guia turístico, os vietkongs resistiram aos 10 anos de guerra em túneis pelo fato de conseguirem ficar agachados por tanto tempo, ali eles moravam, lutavam e até dormiam assim. Isso é por conta da forte cultura de ficar agachados! Vimos nas ruas eles trabalhando agachados, cozinhando, preparando comida, limpando peixe, consertando moto e bicicleta, lavando louça...qualquer outra coisa que um ocidental faria sentado numa cadeira. Bem, os banheiros públicos ainda são assim, um vaso sanitário enterrado onde é preciso pisar nas bordas do vaso e se agachar.



Nessa cidade tambem visitamos o museu da guerra, onde é muito triste ver fotos de pessoas que nasceram com vários problemas fisicos e até mentais por conta do "agente laranja", um veneno americano que foi pulverizado sobre o país e que em contato com uma pessoa, seja direto ou por meio de alimento ou água contaminada, causava deformação genética nas gerações seguintes. Infelizmente isso teve consequências que se extenderam por mais de 30 anos após terminada a guerra.



Viajando de ônibus pelo país, vimos que cultura bonita que eles tem! Todos devem tirar os calçados e colocar numa sacola plástica ao entrar no ônibus. Esses são os chamados "ônibus para dormir". São bancos beliches e acompanham um travesseirinho, uma cobertinha e uma garrafinha de água!

Visitamos a praia de Nha Trang, onde sem muito o que fazer ali descobrimos um spa onde tivemos nosso dia de luxo na viagem. Passamos 4 horas nos entretendo com piscinas de lama, piscinas de água quente e piscinas maiores de água morna com cascata. Super terapêutico e pagando pouco, se comparado a qualquer coisa no Brasil.

Seguimos para Hue, mas a visita à antiga Citadel não valeu o preço da entrada. Havia falta de informações, um total despreparo para receber turistas e olha que estava cheio deles! Não haviam mapas, placas, pessoas para dar informações e ainda pagamos mais caro que os turistas locais, só por sermos estrangeiros.

Dali, chegamos em Hanoi para irmos as tão famosas ilhas do Vietnam. Escolhemos Cat Ba, compramos uma passagem "combo", onde andamos cerca de 5 h de ônibus, meia hora de barco alta velocidade e mais uma ônibus até o centrinho da ilha, com os hoteis e restaurantes. No dia seguinte fizemos o esperado passeio de um dia de barco, escolhemos aquele recomendado pelo guia Lonely Planet e não nos arrependemos. O barco era confortável, só havia turistas ocidentais, a comida foi excelente...melhor almoço da viajem e o guia Vietnamita tinha um bom inglês! Pela manhã passamos ao lado das vilas flutuantes, habitadas por pescadores. Só o fato de andar entre as gigastesas ilhas de pedras já pagou o passeio. O barco atracou numa praia deserta onde todos pularam na água, e saimos mergulhando com snorkel ate a beira da praia. Depois de uma 1:30 h de descanso por ali, o barco nos levou até os caiaques. Atracou, almoçamos dentro do barco e cada dupla remou num caiaque. O guia nos conduziu e atravessamos duas cavernas. Após cruzar a segunda, nos deparamos com um lugar cercado por montanhas de pedras, era uma lagoa escondida! Olhando para o alto das arvores que crescem ali, vimos macacos nos galhos e olhando para baixo... em volta do caiaque, uma infinidade de águas-vivas! Ao vivo e a cores! Tinha água-viva amarela, azul, marrom, branca, preta! Foi pura emoção! Sabe aquela mistura de novidade com medo?! Cair ali seria fatal! Ficamos um tempo parados vendo elas se movimentarem. Fomos até audaciosos fazendo um vídeo subaquático delas! De volta ao barco, ele foi em direção à Ha Long Bay, baía bem famosa e visitada. Porém, a tempestade prevista para o dia seguinte se antecipou. O tufão Kujira que chegou na China e seguiu pelo Vietnam como tempestade tropical, deixou rastros sentidos por km de distância. Muito vento e chuva forte trouxe a emoção das ondas altas. Ali, assistimos a uma fila de centenas de barcos pesqueiros que fugiam do alto mar em direção a algum rio em busca de abrigo. Chegamos bem ao hotel, mas a chuva e o vento fortíssimo só pararam mais de 24 horas depois.



A última cidade que visitamos foi Sapa, um lugarejo rural bem ao norte do Vietnam e perto das cordilheiras que fazem divisa com a China. Nos hospedamos num homestay em Ta Van à 12 km de Sapa. Ficamos 2 dias andando pelas trilhas que cortavam os arrozais onde residem vários grupos étnicos, cada qual com suas roupas, comidas, culturas e artesanatos! Crianças carregando bebês nas costas amarrados por panos foi uma das cenas que mais me chamaram a atenção! O clima dessa região era bem ameno, com temperatura gostosa porém estava chuvoso e o jeito era andar de bota.







Resolvi subir num degrau de plantação de arroz para tirar foto de uma mulher trabalhando na lavoura com um bebê pendurado nas costas. Andar ali era como pisar em ovos, bem arriscado! Depois que tirei a foto lá em cima pisei num ponto de terra mais encharcada e deslizei! Desci barranco abaixo me sujando de lama...a câmera ficou intacta...mas minha bota! Ahh que trabalho o Everton teve pra lavar! Eu nunca ri tanto de mim mesma como aquele dia!!!



Nota (por Everton): Estou tendo que editar os vídeos no Tablet e apesar de gravar as imagens em HD, não consegui nenhum editor que gere o video final em HD, por isso a qualidade está ficando ruim... Se alguém tiver um bom editor para Android pra indicar, que gere videos em HD, será muito útil! Obrigado!